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Atacarejo ganhou força com a crise

O atacarejo, também conhecido como Cash & Carry, cresce mais que os supermercados por oferecer produtos em grande quantidade e a preços menores. Assim, conseguiu atravessar a crise econômica com mais vigor. O presidente da Abad (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores), Emerson Luiz Destro, ressalta que o custo do atacarejo é menor por não oferecer serviços, além de comprar produtos mais baratos em grande volume da indústria. “O atacarejo não tem açougue, só carne embalada, não tem padaria, no máximo pão francês, não tem corte de frios”, enumera.

Analistas ouvidos pela FOLHA dizem que o atacarejo é o canal que mais vai crescer no Brasil porque tem preços mais baixos e porque as pessoas estão fazendo mais compras de abastecimento

Ele ressalta que o segmento tem a vantagem de atender vários públicos: transformadores (lancheiros, pizzarias, etc.), pequenos comerciantes e consumidor final. “Para o consumidor, é uma fonte de economia no contexto da crise, do desemprego.”
Destro diz que, quem quer serviços e variedade, vai no supermercado, e quem quer preço, vai no atacarejo. “Enquanto um atacarejo tem em torno de 6, 8 mil itens, o supermercado tem 15, 20 mil itens”, conta.

Já para Alexandre van Beeck, sócio-diretor da GS&Consult, os clientes buscam dois tipos de compra. “Compra em estabelecimento pequeno perto de suas casas, ou no atacado se precisam economizar.” De acordo com ele, o atacarejo é uma adaptação do atacado. “Antes, o consumidor não comprava no atacado. Quando começa a olhar para o setor, o atacado tem de adaptar para atendê-lo da melhor maneira possível.” Por isso, nasceram os atacarejos.

A proposta desse tipo de estabelecimento já é bem conhecida em Londrina. Foi aqui que, em 1962, nasceu uma das grandes redes, o Atacadão, que tem 161 lojas de autosserviço e 25 atacados de entrega no País. Na opinião da diretora de marketing da Kantar Worldpanel, Giovanna Fischer, o atacarejo é o canal que mais vai crescer no Brasil. Por dois motivos: “Primeiro porque tem preços mais baixos. E também porque as pessoas estão se habituando a fazer mais compras de abastecimento”, alega. Ela diz que o setor vem crescendo há tempos, mas foi potencializado pela crise. “Estão sendo abertas muitas lojas no País, tanto nas capitais como no interior.

São lojas maiores que trabalham com muitas categorias de produtos, tem gôndolas diferenciadas porque os produtos são grandes”, explica. Fischer conta que as compras de abastecimento nos últimos dois anos subiram de 43% para 47% do total. “A frequência nas compras caiu 3%. Isso quer dizer que as pessoas estão indo menos às lojas e comprando mais quantidade.” Ela diz que quase cinco em dez famílias brasileiras compram algum produto em atacarejo ao menos uma vez ao ano.

MUFFATO
Apesar de atuar no ramo com a marca Max há 20 anos, o grupo Muffato só inaugurou sua primeira loja de atacarejo em Londrina no mês passado. Ela fica na Avenida Tiradentes, saída para Cambé, onde antes a empresa mantinha um supermercado. “Em Londrina não tínhamos a bandeira Max. Já faz quase dez anos que tentamos encontrar um local para instalar a loja”, diz o diretor do grupo, Everton Muffato. Por tratar-se de um empreendimento regional, ele alega que a unidade precisava estar posicionado estrategicamente.

De acordo com Muffato, como não foi encontrado nenhum imóvel adequado, a empresa decidiu construir a loja no local onde antes funcionava um supermercado do grupo. “Não é que trocamos um tipo de negócio por outro. A decisão foi por causa de ali ser o imóvel ideal”, alega.

Muffato conta que 2017 é um ano de estabilidade para o atacarejo. “Mas o segmento cresceu bastante em 2015 e 2016.” O empresário atribui esse crescimento ao aumento do número de lojas em todo o País. “No Paraná, o atacarejo já está consolidada há mais tempo, mas em muitos Estados ainda é uma novidade.” Até 2014, segundo Muffato, o atacarejo tinha um perfil mais voltada à baixa renda. “Com a crise, todas as classes passaram a comprar no segmento”. Além da loja em Londrina, o grupo inaugurou outra unidade desse segmento em Arapongas, totalizando 14 lojas (três no interior de São Paulo e as demais no Paraná).

Nelson Bortolin Reportagem Local
Fonte: Folha de Londrina https://www.folhadelondrina.com.br/economia/atacarejo-ganhou-forca-com-a-crise-1017589.html

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